Síndrome do Instestino Irritável – SII

10/05/2017

Síndrome do Intestino Irittável - SII

Síndromes são associações de sintomas, ou seja, queixas referidas por pessoas de acordo com aquilo que elas sentem. Podem estar associadas a doenças conhecidas, como é o caso de síndromes infecciosas, dolorosas e neoplásicas, por exemplo. Em comum a elas, padrões que permitem classificar pacientes como seus portadores, auxiliando no diagnóstico.

As queixas dos pacientes que têm a Síndrome do Intestino Irritável (SII) consistem mais freqüentemente em dor abdominal, distensão abdominal (estufamento por gases), constipação (“intestino preso”) e diarréia. Muitos pacientes com SII alternam episódios de diarréia e constipação. É comum haver muco presente junto às fezes.

Não se trata de um defeito anatômico ou estrutural, que possa ser detectado em exames complementares, como os de imagem. Não há alterações físicas ou bioquímicas identificáveis.

Apesar de que frequentemente trazem nos pacientes o receio de um câncer gastrintestinal ou outras doenças do aparelho digestivo, não ocorre essa associação. Em suma: não há doença orgânica detectável.

A SII é uma alteração funcional do intestino. Não há sinal de doença que possa ser aferido, mas o intestino não está funcionando normalmente.

Trata-se de um problema comum, afetando até cerca de um a cada quatro ou cinco indivíduos, a depender da população estudada. É mais comum em mulheres e parece ser desencadeada em momentos de maior ansiedade.

Habitualmente inicia-se na adolescência ou em adultos jovens, sendo raro o início após os 50 anos.

Credita-se sua origem a uma associação entre um distúrbio da motilidade intestinal (as contrações musculares rítmicas dos intestinos que levam a o conteúdo intestinal adiante) e a uma maior susceptibilidade aos estímulos intestinais, que em circunstâncias habituais não acarretariam qualquer desconforto.

Para exemplificar, todos nós temos gases e líquidos em nossos intestinos o tempo todo, em geral não percebemos ou não nos incomodamos com isso. Portadores da SII podem sentir um grande desconforto pela presença de volumes normais de gás dentro dos intestinos. E acredita-se que as alterações do padrão de motilidade intestinal possam levar a um aumento na presença desses gases em determinados momentos, o que leva à distensão abdominal.

Mas, afinal, quais os sintomas da SII? Dor e desconforto abdominal associado com alterações no aspecto das fezes são os principais sintomas, os quais variam entre indivíduos. Constipação, diarréia ou a alternância entre estes padrões são característicos e determinam a classificação de seus portadores em subgrupos (SII-C, SII-D), o que tem importância no tratamento.

Alguns referem distensão abdominal, que pode decorrer do aumento da produção de gases no cólon por fermentação, diminuição da motilidade ou uma combinação de ambos.

A SII afeta os movimentos peristálticos do cólon (motilidade), o que leva a alterações nos processos de eliminação de gases e fezes e a quantidade de líquido absorvido pelo intestino.

Nos pacientes afetados, os movimentos do cólon podem estar aumentados, impulsionando muito rapidamente o bolo fecal. Isso impede a adequada absorção de líquidos pela camada mucosa do intestino. Este excesso de água nas fezes se manifesta como diarreia.

Ao contrário, quando o intestino trabalha muito lentamente – o que é comum na SII – as fezes ficam em contato por muito tempo com a mucosa intestinal, favorecendo uma maior absorção de água. O resultado são fezes endurecidas e secas, características da constipação intestinal.

Mas, atenção: sangramento, febre, perda de peso e dor abdominal persistente e contínua não devem ser atribuídos à SII. Nestes casos, outros problemas precisam ser investigados.

A alimentação interfere nos sintomas da SII, sendo que para muitos indivíduos com SII a atenção na escolha dos alimentos é fundamental. É importante notar quais são os alimentos que causam mais sintomas. Alimentos que levem a um aumento na produção de gases pelo intestino – normalmente pela fermentação no cólon promovida pela rica flora bacteriana intestinal – devem ser evitados. Uma orientação dietética específica e personalizada ajuda muito no controle dos sintomas.

Quanto às causas da SII, não se sabe precisamente o que leva uma pessoa a ter SII e outra não. Os sintomas não são causados por uma doença específica e estudos têm demonstrado que o intestino de algumas pessoas parece ter uma sensibilidade aumentada a diferentes estímulos, como a ingesta de determinados alimentos e a ansiedade (stress).

Abaixo estão listadas as principais teorias da SII: Os movimentos de propulsão do intestino (peristaltismo) parecem funcionar de modo descoordenado. Há momentos de contrações vigorosas das paredes musculares do intestino (espasmos) e momentos de parada dos movimentos, com acúmulo de líquido e gases em alguns segmentos.

A camada superficial do intestino grosso é responsável pela absorção de líquidos das fezes mas também pela secreção ativa de líquidos e muco (como se fosse um catarro). Em pacientes com SII, os movimentos do cólon podem estar aumentados, impulsionando muito rapidamente o bolo fecal, não permitindo a adequada absorção desse fluido, deixando as fezes com excesso de água, o que se manifesta como diarréia. Por outro lado, quando o intestino trabalha muito lentamente, o que é comum na SII, as fezes ficam em contato por muito tempo com as paredes intestinais, favorecendo uma maior absorção de água , deixando-as endurecidas e secas (constipação intestinal).

Como o coração e os pulmões, o cólon é parcialmente controlado pelo sistema nervoso autônomo (regulação involuntária). É sabido que este controle sofre interferência do nosso estado emocional, como nos quadros depressivos ou na ansiedade.

Assim, em momentos de maior ansiedade, é comum o intestino trabalhar mais rápido, de modo mais lento ou apresentar contrações  desordenadas e dolorosas (espasmo, com cólicas abdominais).

Além disto, podem piorar os sintomas:

  • Refeições copiosas
  • Aumento da quantidade de gases no intestino grosso
  • Alguns medicamentos
  • Consumo de trigo, centeio, cevada, aveia, cereais, chocolate, leite (e laticínio) e álcool
  • Bebidas que contêm cafeína: café, chá, refrigerantes (principalmente à base de cola)
  • Ansiedade e labilidade emocional
  • Período menstrual (sugerindo relação com os hormônios femininos).

Intestino: nosso segundo cérebro.

Ansiedade, depressão, fadiga… todos estes fatores estimulam contrações (espasmos) intestinais em pessoas com a SII. O intestino possui uma vasta rede de terminações nervosas que se conectam ao cérebro mas, também, responsáveis por uma série de reflexos e estímulos motores e sensitivos que fazerm a mediação do peristaltismo.

Esta rede nervosa coordena o ritmo normal das contrações do intestino. Em situações de ansiedade, esta mesma via pode causar desconforto abdominal.

Pessoas freqüentemente experimentam cólicas, desconforto abdominal ou até mesmo diarréia quando estão ansiosas ou agitadas. Mas em portadores da SII, o intestino reage de maneira muito mais intensa a essas situações. Além disto, a ansiedade tende a deixar as pessoas mais sensíveis a determinados estímulos.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é firmado com base na história clínica e no exame físico. Não há nenhum exame específico para confirmação da SII.

Utilizam-se exames e testes laboratoriais para excluir outras doenças que possam ter sintomas semelhantes, particularmente em casos em que haja sinais de alarme associados (perda de peso imotivada ou sangramentos, por exemplo).

Exames de sangue e fezes, endoscopia digestiva alta, colonoscopia e exames radiológicos podem ser necessários.

Seu médico deverá saber seu histórico familiar e pessoal de tumores e outras doenças, uso de medicamentos e cirurgias realizadas, especialmente aquelas sobre os órgãos do aparelho digestivo.

TRATAMENTO

O  primeiro objetivo do médico após o diagnóstico de SII, é promover a conscientização do paciente sobre a síndrome. Como ela ocorre, o que faz melhorar e piorar os sintomas, além de tranquilizá-lo de que não é portador de uma doença que evoluirá de forma grave. A partir deste ponto, da compreensão do quadro, a adesão ao tratamento por parte do paciente aumenta.

Medicamentos são importantes para o alívio dos sintomas. Suplementos de fibras, laxantes, antidiarreicos e antiespasmódicos (para aliviar os espasmos do intestino) servem par melhorar muitos dos sintomas abdominais. Casos muito selecionados podem se beneficiar de medicamentos contra a ansiedade ou antidepressivos, que apresentam efeito calmante e analgésico, com melhor resposta ao tratamento.

O tratamento da SII é multidisciplinar. A atuação do nutricionista e do psicoterapeuta são muito importantes. Atividades físicas regulares auxiliam bastante nos quadros em que haja constipação associada além de auxiliarem bastante a combater a ansiedade.