Fístula anal: definição e diagnóstico

25/08/2017

O que é fístula anal?

Uma fístula, de um modo geral, é uma comunicação não fisiológica, ou seja, não “natural”, entre duas superfícies revestidas por tecido epitelial. Ou seja, é um canal que comunica duas estruturas, ou uma estrutura à pele. Elas podem ser de vários tipos e estar localizadas em diversos locais do nosso corpo, e suas causas e tratamentos variam muito dependendo desses fatores.

Uma fístula anal é uma comunicação anormal que se estabelece entre a região externa ao redor do ânus, ou região perianal, e o canal anal, internamente.

Causas da fístula anal

As fístulas anais geralmente se originam no canal anal, internamente, a partir de uma inflamação local, geralmente de uma glândula, o que gera um abscesso – ou acúmulo de pus – que, após drenado, gera um orifício externamente. A fístula é caracterizada pela perpetuação de um trajeto que conecta a glândula infectada e o orifício oriundo da drenagem do abscesso resultante. Essa comunicação pode ser gerada também entre o canal anal e outro órgão interno, como a vagina, por exemplo.

Esse processo de formação da fístula anal costuma ser bastante doloroso, e pode ser acompanhado de febre e calafrios. A drenagem do abscesso pode ocorrer de forma espontânea, ou pode haver a necessidade de drenagem cirúrgica, realizada por coloproctologista especializado. Caso a doença de base não seja tratada, a cicatrização do orifício de drenagem não é completa, originando a fístula, o que tende a ocorrer em um a cada três pacientes após um abscesso perianal.

Outras causas menos frequentes de fístula anal são: tuberculose, doença inflamatória intestinal, traumas anorretais, neoplasias do reto ou do canal anal, cirurgias no reto, cirurgias ginecológicas ou obstétricas e doenças infecciosas, como o linfogranuloma venéreo.

As fístulas anais surgem de forma aleatória, em ambos os sexos e em qualquer idade. Em crianças, as fístulas anais são raras.

Sintomas da Fístula Anal

Uma vez instalada a fístula anal, os sintomas mais comuns são dor na região anal, presença de secreção purulenta na região próxima ao ânus, por vezes acompanhada de sangramento ou com um aspecto achocolatado. Os sintomas tendem a melhorar com a drenagem, ou o paciente pode perceber um fechamento temporário da fístula, com posterior reabertura, no mesmo local ou em locais próximos, e retorno dos sintomas. As fístulas podem permanecer um bom tempo sem gerar sintomas.

Diagnóstico da Fístula Anal

O diagnóstico de fístula anal é essencialmente clínico, ou seja, baseado nos sintomas e no exame físico do paciente. Lembrando que é fundamental também o diagnóstico do fator causal da infecção que originou a fístula. É importante também diferenciar as fístulas de outras doenças e infecções que acometem o canal anal, como dermatites, foliculites, furúnculos e hidradenite supurativa, por exemplo.

Tratamento

O tratamento das fístulas anais é cirúrgico, pois dificilmente uma fístula cicatriza de modo permanente, uma vez estabelecida. O tratamento clínico sozinho não é suficiente para sua cura.

Pode haver a necessidade de administração de antibióticos em complementação ao tratamento cirúrgico em casos selecionados, como em pacientes diabéticos e imunossuprimidos (como os transplantados). É necessário também o tratamento da infecção que gerou a fístula em um primeiro momento, e o tratamento dependerá de cada caso.

A técnica cirúrgica empregada vai depender de cada tipo de fístula, principalmente do trajeto dela no organismo. Para definição das características da fístula e seu trajeto, usualmente é realizado um exame de imagem, como ultrassonografia  do canal anal.

Uma das conseqüências mais importantes do tratamento das fístulas anais é a incontinência fecal. Portanto, na presença de dúvidas durante a avaliação clínica das fístulas anais, deve-se esclarecer a função do canal anal antes da cirurgia – principalmente no que se refere à função muscular – através da eletromanometria anorretal

Ambas as avaliações acima destacadas podem ser feitas pouco antes da cirurgia, a fim de se obter um quadro atual.

Das técnicas cirúrgicas mais comuns para o tratamento das fístulas anais, destacam-se:

  • Fistulotomia anal em um tempo: mais frequentemente realizada. Consiste na identificação, abertura e curetagem, ou raspagem do trajeto da fístula.
  • Fistulotomia anal em dois tempos: procedimento semelhante ao anterior, com adição da passagem de um seton (ou sedenho), material flexível introduzido em toda a extensão do trajeto da fístula, objetivando reduzir o surgimento de incontinência fecal após a cirurgia.
  • LIFT, ou “ligadura inter-esfincteriana do trajeto fistuloso: técnica poupadora de esfíncter, na qual o trajeto da fístula é identificado, ligado ou “amarrado” entre ambos os esfíncteres, sem que estes sejam seccionados. Os orifícios interno e externo são também tratados.
  • Uso de Substâncias de Preenchimento: preenchimento do trajeto da fístula com cola de fibrina, ou, mais recentemente, com um material chamado Surgisys®. Apesar de terem gerado grande expectativa quando foram descritos, ambas as técnicas estão em desuso devido aos resultados decepcionantes.
  • VAAFT – ou Tratamento Videoassistido do Trajeto Fistuloso: descrito em 2011 por Meinero e colaboradores, na Itália, utiliza um equipamento ótico conectado a uma microcâmera de vídeo, que possibilita não apenas a identificação do trajeto fistuloso como sua abordagem e tratamento. Pode ser associado ao LIFT como uma forma de se obter melhores resultados.

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